3 anos depois do seu fim, pandemia ainda impõe sequelas a 11 milhões de brasileiros

Exatos três anos, em maio de 2023, a Organização Mundial de Saúde anunciou que a covid-19 não era mais considerada uma “Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional”. A pandemia parece ultrapassada, mas até hoje ela impacta na saúde de milhões de pessoas no Brasil. São vítimas do que os especialistas médicos chamam de “Long Covid”, condição na qual a pessoa continua sentindo sintomas mesmo depois de o vírus já ter passado.
“Nesta condição, as pessoas podem conviver com limitações física, dores, cansaço extremo, falta de ar, lapsos de memória e dificuldade para trabalhar ou estudar. Estes sintomas variam de pessoa para pessoa e comprometem muito a qualidade de vida”, afirma o médico fisiatra Celso Vilella Matos, presidente da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR).
A entidade representa os médicos fisiatras no Brasil, especialistas que são na reabilitação física, convivem diariamente com convivem com o desafio destas pessoas em vencer as limitações funcionais que impedem o retorno pleno às atividades diárias. 
Seriam ao menos 11 milhões de pessoas no país, considerando que, segundo pesquisa do Ministério da Saúde, 19% dos 60 milhões de brasileiros que tiveram a doença relatam sintomas persistentes (condições pós-covid).
Entre 2021 e 2024, mais de 180 mil atendimentos por quadros de pós-covid foram registrados em unidades de saúde do SUS, com maior concentração entre adultos de 40 a 59 anos e predominância na região Sudeste, segundo o Ministério.
“A covid-19 pode afetar diversos sistemas do corpo, incluindo respiratório, neurológico e musculoesquelético, o que requer uma abordagem de cuidado abrangente e integrada, coordenada pelo médico fisiatra e que envolve outros profissionais, como fisioterapeuta, terapeutas ocupacionais, psicólogos fonoaudiólogos e educadores físicos, entre outros”, afirma o presidente da ABMFR. 
Segundo Dr. Celso, a medicina física e reabilitação atua justamente nesse cenário complexo de sequelas prolongadas, ajudando pacientes restaurar capacidades físicas e cognitivas, mobilidade e resistência, reduzir a fadiga, limitações funcionais e a intolerância ao esforço para possibilitar o retorno gradual ao trabalho, aos estudos e à vida social, sempre respeitando os limites do organismo e a evolução clínica.
O médico fisiatra prescreve e supervisiona terapias específicas, como reabilitação cardiorrespiratória, fortalecimento muscular progressivo, treino de equilíbrio, condicionamento funcional e estratégias para manejo da fadiga. Também orienta intervenções para dor musculoesquelética e neuropática, incluindo recursos físicos, medicamentos e técnicas intervencionistas quando indicadas.
Como aliados, o médico fisiatra utiliza equipamentos e tecnologias de reabilitação, como eletroterapia, estimulação elétrica neuromuscular, biofeedback, plataformas de equilíbrio, testes funcionais instrumentados, dispositivos para treino respiratório e tecnologias digitais para monitoramento da evolução funcional. Em alguns casos, recorre a recursos de tele-reabilitação, ampliando o acompanhamento e a adesão ao tratamento.

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