No Brasil, mais de 100 mil pessoas com 60 anos ou mais são hospitalizadas todos os anos em decorrência de quedas, segundo o Ministério da Saúde. Esse tipo de acidente é o principal motivo de internações por traumas nessa faixa etária.
A frequência desse problema também chama a atenção. 39% dos idosos sofreram duas ou mais quedas em um período de 12 meses, de acordo com o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), considerando dados coletados entre 2023 e 2024.
Embora muitas pessoas considerem as quedas uma consequência natural do envelhecimento, elas não devem ser encaradas como algo inevitável. Na maioria dos casos, é possível identificar fatores de risco, tratá-los e reduzir significativamente a probabilidade de novos acidentes.
O médico fisiatra, especialista em Medicina Física e Reabilitação, tem papel fundamental tanto na prevenção quanto na reabilitação de idosos que sofreram quedas. Sua atuação vai além do tratamento das lesões, concentrando-se na recuperação da funcionalidade, da mobilidade, da independência e da qualidade de vida.
Durante a avaliação, o médico fisiatra investiga os fatores que aumentam o risco de quedas, como perda de força muscular (sarcopenia), alterações do equilíbrio e da marcha, dor crônica, doenças neurológicas, artrose, osteoporose, limitações articulares, déficits visuais, tonturas e até o uso de medicamentos que podem comprometer a estabilidade corporal.
Com base nessa avaliação, é elaborado um plano terapêutico individualizado, voltado para reduzir os riscos e restaurar a capacidade funcional do paciente.
Entre as ações adotadas pelo fisiatra estão programas de fortalecimento muscular, exercícios para melhora do equilíbrio, coordenação e marcha, tratamento da dor musculoesquelética, prescrição de órteses e dispositivos de auxílio à locomoção, como bengalas e andadores, além da orientação para adaptações no ambiente domiciliar que diminuam o risco de novos acidentes.
Quando necessário, o médico fisiatra também pode indicar recursos da Medicina Física e Reabilitação, como terapias físicas, procedimentos intervencionistas para controle da dor e tecnologias voltadas à recuperação funcional, sempre integrando o trabalho de uma equipe multiprofissional composta por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais.
Além da recuperação das lesões, um dos principais objetivos da atuação do fisiatra é prevenir novas quedas, quebrando um ciclo que frequentemente leva à perda progressiva da autonomia.
Após uma queda, muitos idosos passam a desenvolver medo de caminhar ou realizar atividades rotineiras, reduzindo sua movimentação. Essa diminuição da atividade física favorece a perda de massa muscular, piora do equilíbrio e aumento da fragilidade, elevando ainda mais o risco de novos acidentes.
A Medicina Física e Reabilitação atua justamente para interromper esse processo, promovendo o envelhecimento ativo, a manutenção da independência funcional e a participação social do idoso.
Prevenir quedas significa preservar autonomia, qualidade de vida e dignidade. A atuação do médico fisiatra é essencial para identificar precocemente os fatores de risco, tratar as limitações funcionais e devolver ao idoso a confiança para continuar vivendo de forma ativa e segura.
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