Em 1º de outubro é celebrado o Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, data que ganha cada vez mais relevância diante do envelhecimento da população. O censo 2022 do IBGE contabilizou mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no país, um crescimento de 56% em relação a 2010. Os médicos fisiatras, especialistas em cuidar da reabilitação e saúde dos idosos, chamam a atenção para um cenário que atinge os idosos — o risco de quedas.
Somente em 2025, ocorreram mais de 85 mil atendimentos ambulatoriais e mais de 48 mil internações de idosos por causa de quedas, somente no serviço público de saúde (SUS). Infelizmente, 9.050 morreram decorrentes desses acidentes — o equivalente a 24 mortes por dia. No Estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Saúde constatou que as internações de idosos por queda na rede pública quase dobraram em dez anos, passando de 6.912 em 2015 para 13.539 no ano passado.
Para a Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação, que representa os médicos fisiatras, estes dados reforçam a urgência de tratar a queda não como um acidente isolado, mas como um evento sentinela — um sinal de que algo na saúde funcional do idoso precisa de atenção médica.
"A queda em uma pessoa idosa quase nunca é apenas um tropeço. Na maioria das vezes, ela é a expressão de uma perda de força muscular, de equilíbrio, de visão ou de reflexos que já estava em curso e não tinha sido percebida. Por isso insistimos que toda queda deve ser encarada como um sinal de alerta, e não como uma fatalidade natural da idade", afirma Dr. Celso Vilella Matos, presidente da ABMFR.
Fraturas de quadril, fêmur e punho estão entre as consequências mais frequentes e mais graves das quedas em pessoas acima de 60 anos, com tempo de recuperação mais longo do que em adultos jovens devido à fragilidade óssea associada à osteoporose. Além do impacto físico, o chamado "medo de cair novamente" é um efeito psicológico comum, que leva muitos idosos a reduzir a própria mobilidade — o que, paradoxalmente, aumenta ainda mais o risco de novas quedas e acelera a perda de autonomia.
O médico fisiatra é o especialista dedicado a prevenir, diagnosticar e tratar condições que comprometem a funcionalidade e a mobilidade, com foco em recuperar a autonomia do paciente. Avalia o idoso de forma ampla — força muscular, equilíbrio, marcha, coordenação e aspectos neurológicos — para identificar riscos antes que a queda aconteça, e não apenas depois dela.
"Diferente da reabilitação pós-fratura, que já é uma resposta a um dano instalado, a avaliação fisiátrica preventiva busca justamente evitar que esse dano ocorra. Com testes funcionais simples, é possível identificar um idoso com risco elevado de queda e propor um plano de exercícios, ajustes de medicação e orientações de segurança domiciliar muito antes de qualquer acidente", explica Dr. Celso.
A ABMFR defende que a prevenção de quedas não pode depender apenas do sistema de saúde: passa também pela família e pela sociedade. Entre as orientações discutidas pela entidade estão a adaptação do ambiente doméstico — retirada de tapetes soltos, instalação de barras de apoio no banheiro e melhoria da iluminação —, o incentivo à atividade física regular sob orientação profissional, a revisão periódica de medicações que possam causar tontura ou sonolência, e o acompanhamento médico regular, que inclui consultas oftalmológicas e avaliação funcional com o fisiatra.
"Cuidar do idoso é tarefa de todos: da família, que precisa estar atenta às mudanças sutis na forma como o pai ou a mãe caminha ou se equilibra; e da sociedade, que precisa pensar em calçadas, transporte público e espaços urbanos mais seguros para essa faixa etária. A Medicina Física e Reabilitação oferece as ferramentas técnicas, mas a prevenção de fato só acontece quando esse cuidado é compartilhado", conclui o presidente da ABMFR.
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