Radiofrequência pode aliviar a dor da artrose e adiar a necessidade de cirurgia

O uso da radiofrequência demonstrou alta eficácia no alívio da dor causada pela osteoartrite de joelho. É o que aponta um estudo realizado no Hospital Federal de Ipanema (HFI), no Rio de Janeiro, publicado na revista científica Acta Ortopédica Brasileira.

A dor provocada pela artrose de joelho é uma das principais causas de limitação funcional entre adultos e idosos. Em muitos casos, ela dificulta tarefas simples do dia a dia, como caminhar, subir escadas ou permanecer em pé por muito tempo. Embora a cirurgia de prótese seja uma alternativa para pacientes com desgaste avançado da articulação, nem todos precisam recorrer a esse procedimento imediatamente. 

A Medicina Física e Reabilitação dispõe de recursos capazes de controlar a dor, melhorar a mobilidade e devolver qualidade de vida, entre eles a radiofrequência.

O estudo conduzido pelo Hospital Federal de Ipanema mostrou resultados promissores do uso da radiofrequência para aliviar a dor em pacientes com artrose de joelho que aguardavam cirurgia. A técnica proporcionou redução significativa da dor e melhora da capacidade funcional, reforçando seu potencial como uma importante opção terapêutica em casos selecionados.

O médico fisiatra, especialista em Medicina Física e Reabilitação, é um dos profissionais habilitados para indicar e realizar procedimentos intervencionistas para o tratamento da dor. Sua atuação, porém, vai muito além da realização da técnica. Antes de qualquer procedimento, o fisiatra realiza uma avaliação completa para identificar a origem da dor, compreender como ela interfere na funcionalidade do paciente e definir o tratamento mais adequado para cada caso.

A radiofrequência é um procedimento minimamente invasivo que utiliza uma corrente elétrica de alta frequência para atuar sobre nervos responsáveis pela transmissão da dor. Por meio de uma agulha especial, posicionada com auxílio de métodos de imagem, como ultrassonografia ou radioscopia, é aplicada uma energia controlada que reduz a capacidade desses nervos de conduzir os estímulos dolorosos. O objetivo não é corrigir o desgaste da articulação, mas controlar a dor de forma segura e duradoura, permitindo que o paciente recupere movimentos e participe mais ativamente do processo de reabilitação.

Em muitos casos, a redução da dor possibilita retomar exercícios terapêuticos, fortalecer a musculatura, melhorar o equilíbrio e aumentar a independência para as atividades diárias. Esses benefícios podem contribuir para adiar a necessidade de cirurgia ou até evitar sua indicação em pacientes que apresentam boa resposta ao tratamento conservador.

Isso não significa que a radiofrequência substitua a cirurgia em todos os casos. Quando há comprometimento importante da articulação, deformidades ou perda significativa da função, a prótese pode continuar sendo a melhor alternativa. A decisão, no entanto, deve ser individualizada e baseada em uma avaliação clínica criteriosa.

Na Medicina Física e Reabilitação, o foco do tratamento não está apenas na imagem dos exames, mas principalmente na funcionalidade da pessoa. O objetivo é controlar a dor, restaurar os movimentos, prevenir incapacidades e devolver autonomia ao paciente.

Além da radiofrequência, o médico fisiatra pode utilizar diversas estratégias terapêuticas para o tratamento da artrose e de outras dores musculoesqueléticas. Entre elas estão programas personalizados de exercícios terapêuticos, fortalecimento muscular, controle do peso, orientações sobre proteção articular, prescrição de órteses, infiltrações, bloqueios terapêuticos e a coordenação do trabalho de uma equipe multiprofissional formada por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, educadores físicos e outros especialistas.

Nem toda dor precisa ser tratada com cirurgia, e nem toda artrose evolui obrigatoriamente para uma prótese. O diagnóstico correto e a escolha do tratamento mais adequado fazem toda a diferença. Nesse processo, o médico fisiatra desempenha papel fundamental ao oferecer uma abordagem moderna, baseada em evidências científicas e centrada na recuperação da funcionalidade e da qualidade de vida do paciente.

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